A Comissão Processante (CP) instaurada na Câmara Municipal de Avaré para apurar denúncia de quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, vereador Cabo Samuel Paes, deu continuidade aos trabalhos nesta quinta-feira (26). Em seu terceiro dia de depoimentos, a comissão ouviu duas pessoas consideradas peças-chave para a investigação: o munícipe Vinícius Berna e o delegado de polícia Rubens César Garcia Jorge, titular da Delegacia Seccional de Avaré.
A sessão desta quinta-feira marcou mais uma etapa da coleta de provas e testemunhos. Os membros da CP — o presidente Hidalgo André de Freitas, o relator Magno Greguer e o membro Moacir Lima — deram prosseguimento ao cronograma de oitivas, que teve início na terça-feira (24) com a denunciante Juliane Cristina de Oliveira e seguiu na quarta (25) com depoimentos de servidores da Casa e de um policial militar da reserva.
Depoimentos estratégicos
O primeiro a ser ouvido na manhã de hoje foi Vinícius Berna, protagonista do episódio que deu origem à denúncia. Em dezembro de 2025, durante uma sessão extraordinária que aprovava o reajuste salarial dos vereadores, Berna teria se manifestado de forma exaltada, sendo retirado do plenário por quatro pessoas a mando do presidente Cabo Samuel Paes. Ele registrou boletim de ocorrência relatando ter sofrido agressões.
Em seguida, a comissão ouviu o delegado Rubens César Garcia Jorge, responsável pelo inquérito policial instaurado na Delegacia Seccional para apurar o caso. A autoridade policial deve trazer à CP informações sobre a tramitação da investigação criminal e as conclusões até o momento, o que pode subsidiar a análise da suposta quebra de decoro parlamentar.
Próximos passos
A Comissão Processante deverá encerrar a fase de oitivas nesta sexta-feira (27), com o depoimento mais aguardado: o do vereador Cabo Samuel Paes, alvo direto da investigação. A oitiva está marcada para as 9h, no mesmo formato das anteriores.
Concluída a coleta dos depoimentos, a CP iniciará a elaboração do relatório final, documento que consolidará as apurações e trará o parecer conclusivo sobre a conduta do presidente da Câmara. O relatório será lido e votado em sessão ordinária ou extraordinária a ser agendada pela comissão.
Entenda o caso
A Comissão Processante foi aberta para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar atribuída a Cabo Samuel Paes. O caso remonta ao dia 1º de dezembro de 2025, quando, durante uma sessão extraordinária para votação do reajuste salarial dos vereadores, houve um tumulto no plenário.
De acordo com o relato do munícipe Vinícius Berna, ele se exaltou contra o projeto e, após ser advertido pelo presidente da Casa, foi imobilizado e retirado do local por quatro pessoas, incluindo o próprio vereador. Ele alega ter sofrido agressões, com arranhões no rosto e nos braços.
A Câmara Municipal, por sua vez, sustenta que não houve agressão por parte dos servidores ou do presidente, tratando-se de uma imobilização legítima diante da resistência oferecida. A Casa informou que as imagens de segurança foram entregues às autoridades para comprovar sua versão.
Em pronunciamento, Cabo Samuel Paes classificou o episódio como “triste” e afirmou ter agido para “preservar a segurança” do plenário, utilizando sua formação como policial para imobilizar e retirar o indivíduo após as devidas advertências.
A Comissão Processante agora se prepara para a reta final dos trabalhos, que deve culminar em um parecer a ser votado pelos membros da Câmara Municipal.





