Os serviços prestados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) voltaram a ser alvo de críticas durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Avaré realizada na segunda-feira (8). Vereadores relataram problemas envolvendo vazamentos de esgoto, poluição ambiental e a necessidade de investimentos na infraestrutura de saneamento do município.
O vereador Hidalgo de Freitas voltou a cobrar providências da empresa e destacou um vazamento de esgoto que estaria ocorrendo nas proximidades do Lago Berta Bannwart e no final da Avenida Major Rangel, próximo ao Horto Florestal.
“Tem vazamento de esgoto ocorrendo no Lago Berta Bannwart, no final da Avenida Major Rangel, perto do Horto Florestal. Se a gente ficar aqui postando vídeo, a gente vai até amanhã postando vídeo em relação ao esgoto e o serviço de má qualidade prestado pela Sabesp aqui no município”, afirmou.
O parlamentar também relembrou que já denunciou situações semelhantes ao Ministério Público e que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) chegou a notificar a Prefeitura e a Sabesp para que medidas fossem adotadas.
“A Sabesp tinha 30 dias para resolver o problema do lago da Brabância. E cadê? Não resolveu. A gente anda pela cidade, esgoto a céu aberto a cidade inteira. Mas eu tenho certeza que na porta da casa dos responsáveis esse cheiro não chega. Esse esgoto a céu aberto na porta da casa dos grandões não chega. Mas chega nos bairros mais simples, onde a população paga as suas contas e não tem um serviço realmente de qualidade prestado”, declarou.
Críticas à privatização
O vereador Francisco Barreto também abordou o tema e criticou a privatização da Sabesp promovida pelo Governo do Estado de São Paulo. Segundo ele, os problemas envolvendo vazamentos de esgoto são recorrentes e refletem a falta de investimentos estruturais.
“A Sabesp é difícil. Se você for ficar o dia todo passando vídeo de vazamento de esgoto da Sabesp, você fica o dia todo aqui”, afirmou.
Barreto relatou que, em reuniões realizadas com representantes da companhia, sugeriu a criação de sistemas de contenção para evitar que o esgoto vazado alcance córregos e rios.
“Eu questionei por que a Sabesp não faz uma contenção quando acontece esse acidente que vaza o esgoto. Em vez de ir para o rio, como acontece no Rocha, poderia ficar em uma lagoa de contenção até a limpeza. Mas eu acho que não tem interesse”, disse.
O vereador afirmou ainda que não apoiou a privatização da empresa e manifestou preocupação com a qualidade dos serviços. “A gente sabe que a qualidade do serviço hoje, por mais esforço que tenha, visa lucro. E quando visa lucro, não tem a qualidade como deve ser. Vai diminuir o número de funcionários”, declarou.
Barreto também destacou que boa parte da rede de esgoto de Avaré ainda utiliza antigas tubulações de cerâmica.
“Vai investir na nossa região R$ 723 milhões, mas é pouco. Se você for ver toda a parte subterrânea de Avaré de esgoto, mais de 80% ainda é feito com aquelas manilhas de cerâmica. Isso precisa passar por uma reformulação muito grande”, completou.
Já o vereador Magno Greguer também utilizou a tribuna para denunciar problemas relacionados ao sistema de esgoto no bairro Jurumirim. Segundo ele, moradores da Rua Júlio Belucci relataram o transbordamento de uma estação elevatória de esgoto, provocando vazamentos e transtornos à população.
“Uma estação de tratamento de esgoto no bairro de Jurumirim entupiu todo o encanamento e começou a vazar esgoto. Fui prontamente atendido pelos responsáveis, mas os moradores não estão contentes”, afirmou.
De acordo com o parlamentar, os moradores defendem a mudança da localização da bomba responsável pelo sistema, alegando que o esgoto estaria atingindo um açude próximo.
“Isso que está vazando está indo direto para aquele açude. Eu gostaria que a Sabesp tomasse providências para mudar essas estações e colocá-las para o lado de baixo do açude, para que não aconteça mais esse vazamento”, disse.
Magno também chamou a atenção para os impactos ambientais da situação. “Isso é o esgoto voltando para dentro das residências. Está indo tudo para o açude, poluindo o açude. Se isso não for poluição, o que mais será? O esgoto correndo a céu aberto, contaminando. Precisamos de atitude”, concluiu.
Tema recorrente
As manifestações reforçam uma série de críticas que vêm sendo feitas pelos vereadores à atuação da Sabesp em Avaré. Na sessão da semana anterior, o vereador Jairinho do Paineiras também abordou o assunto e cobrou soluções para problemas relacionados ao sistema de coleta e tratamento de esgoto no município.
Até o momento, a Sabesp não se manifestou sobre os apontamentos feitos pelos parlamentares durante a sessão desta segunda-feira.



