Uma mãe de aluno da Escola Estadual PEI Paulo Araújo Novaes (PAN), em Avaré, usou as redes sociais na quarta-feira (30) para manifestar preocupação com episódios de indisciplina e conflitos que, segundo ela, estariam ocorrendo na unidade de ensino.
No desabafo, a mãe, que preferiu não se identificar, afirma que os problemas envolveriam brigas durante o intervalo e na saída da escola, situações nos banheiros, ameaças e até agressão contra funcionário.
Segundo ela, a preocupação aumentou após um episódio em que um aluno teria deixado a escola e agredido um morador que vive em frente à unidade. O relato, de acordo com a mãe, demonstra que os conflitos não estariam restritos ao ambiente escolar.
A mãe também afirma que a filha teria relatado medo de utilizar os banheiros da escola diante de situações que estariam ocorrendo nesses locais. “Não acho que tudo tenha que ser suspensão. Cada caso é um caso. Conversar com o aluno é importante, orientar também é importante. Mas também precisa ter limite”, escreveu.
No texto, ela questiona quais providências são adotadas diante de casos de brigas, ameaças e agressões e se os responsáveis pelos estudantes são chamados pela escola.
A mãe também menciona a recente mudança na direção da unidade e afirma que o objetivo do relato não é responsabilizar a diretora ou os funcionários. “Não estou querendo apontar culpados. Estou pedindo que alguma coisa seja feita”, afirmou.
O relato termina com um apelo para que direção, professores, funcionários, Diretoria de Ensino, pais e alunos atuem conjuntamente para garantir a segurança dos estudantes.
Outra publicação, de uma tia de uma estudante, relata que apenas nesta semana ocorreram três brigas, sendo que em uma delas um aluno chegou a sangrar. O relato aponta ainda que “os professores que são mais exigentes acabam sofrendo com pais bravos” e descreve cenas de “barulho” e alunos “pulando o muro”, o que afeta a paz dos vizinhos.
Nos comentários, outros pais corroboram a sensação de insegurança. S.T., avó de um aluno de 11 anos, afirma que o neto reclama de “moleques” no banheiro e que a situação é “insuportável”. “Minha nora já foi reclamar e estamos esperando uma vaga em outra escola”, escreveu.
Estado diz que escola segue protocolo de convivência
Diante da repercussão do relato, A Voz do Vale procurou a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para esclarecer quais medidas estão sendo adotadas pela escola e pela equipe regional responsável pelo acompanhamento da unidade.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que o Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) criou o Protocolo 179, que estabelece procedimentos para situações envolvendo conflitos e ocorrências no ambiente escolar.
Segundo a Seduc-SP, o protocolo prioriza ações pedagógicas, mediação de conflitos, acolhimento e responsabilização educativa, evitando a aplicação automática de punições.
A Secretaria explica que, diante de uma ocorrência, a escola deve registrar o caso, conversar com os responsáveis, orientar os estudantes envolvidos e realizar o acompanhamento da situação.
Em casos de briga, podem ser aplicadas medidas previstas no Regimento Escolar, desde que tenham caráter educativo, sejam proporcionais à ocorrência e respeitem os direitos dos estudantes.
De acordo com a Seduc-SP, a escola mencionada adotou os procedimentos previstos no Protocolo 179 e realizou os encaminhamentos necessários.
A equipe regional do Conviva, ainda segundo a Secretaria, acompanha as ações desenvolvidas na unidade, com iniciativas voltadas à promoção da cultura de paz e do respeito no ambiente escolar.
Entre as medidas citadas estão rodas de conversa, ações de escuta ativa com os alunos, atividades de incentivo à frequência escolar e ampliação das ações de acolhimento.
Frequência escolar aumenta
A Secretaria também informou que a frequência escolar da unidade chegou a 85,4% em setembro, ante 78,6% registrados em fevereiro deste ano.
Para a Seduc-SP, os dados e as ações realizadas demonstram que a escola vem atuando de maneira preventiva, corretiva e articulada, seguindo as normas estabelecidas e mantendo como foco a proteção dos estudantes e a construção de um ambiente seguro e favorável à aprendizagem.
A manifestação da mãe e os esclarecimentos apresentados pela Secretaria colocam em evidência um dos desafios da rotina escolar: conciliar medidas disciplinares com ações de orientação, mediação e acompanhamento dos estudantes envolvidos em conflitos.
A situação também reforça a importância da participação das famílias e dos diferentes profissionais da comunidade escolar na prevenção e no enfrentamento de episódios de violência e indisciplina.




