Uma moradora do entorno da Praça CAIC, em Avaré, enviou um desesperado apelo ao jornal A Voz do Vale na segunda-feira (22), relatando que a área, destinada ao lazer das famílias, transformou-se em palco de consumo de drogas, brigas, ameaças e insegurança. Em seu relato, a mulher, que é mãe solo de três adolescentes, conta que a situação escalou para uma ameaça de morte direta contra ela.
“Hoje, fui ameaçada de morte com as palavras: ‘se você sair, eu te mato’”, escreveu a moradora, que pede para não ser identificada. Ela descreve um cotidiano de medo: as filhas precisam sair para estudar e trabalhar, enquanto ela retorna do trabalho exausta para uma casa que já não sente como um refúgio seguro. “Não consigo ter paz nem dentro da minha própria casa”, desabafa.
A principal crítica da cidadã é dirigida ao que chama de “descaso do poder público”. Ela afirma que, mesmo acionando a polícia, a resposta tem sido a de que “não pode fazer nada de forma efetiva”. “Se as autoridades não podem agir, como uma mãe, sozinha, pode se defender dentro da própria casa?”, questiona.
Entre as providências urgentes solicitadas, estão a presença constante da Guarda Municipal e da Polícia Militar, ações sociais de enfrentamento à dependência química, a reorganização do uso da praça e proteção às famílias do entorno. “Isso não é um problema individual. É um problema social, de segurança pública e de dignidade humana. Não podemos esperar que o pior aconteça para então agir”, defende.
Ainda na segunda-feira (22), a munícipe registrou um boletim de ocorrência devido às ameaças sofridas. Segundo ela, nesta terça-feira (23), o suspeito retornou à praça acompanhado de outro homem. “Ficaram me intimidando quando saí para trabalhar”, relatou.
Posicionamento da Prefeitura
Questionada sobre as denúncias, a Prefeitura Municipal se manifestou por meio de sua Secretaria de Comunicação. Sobre a segurança no local, a nota informa que a Guarda Municipal “está sendo montada e por ser uma Secretaria nova, demanda todo um processo a ser seguido”.
Em relação à Polícia Militar, a administração municipal destacou que a corporação “faz rondas ostensivas visando sempre a segurança da população, devendo sempre que necessário e em caso de ameaças, ser acionada pelo 190, pontuando o ocorrido para as devidas providências”.
Sobre a questão social envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade e uso de drogas, a Prefeitura citou a atuação da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Semads). “A Semads realiza ações de abordagem e acolhimento com encaminhamentos para suporte a essas pessoas, porém algumas retornam infelizmente para as ruas”, explicou a gestão.
A esperança da moradora, e de outras famílias na mesma situação, é que o apelo não caia no vazio e que ações concretas e coordenadas sejam tomadas antes, como ela mesma alerta, que uma tragédia irreparável aconteça.



