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NATURAL DE AVARÉ, “BETO LOUCO” ENFRENTA RESISTÊNCIA DO MP EM ACORDO DE DELAÇÃO PREMIADA; ELE PROPÔS PAGAR R$ 1 BILHÃO E ENTREGAR SERVIDORES E MAGISTRADOS

15 de abril de 2026
em Avaré
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NATURAL DE AVARÉ, “BETO LOUCO” ENFRENTA RESISTÊNCIA DO MP EM ACORDO DE DELAÇÃO PREMIADA; ELE PROPÔS PAGAR R$ 1 BILHÃO E ENTREGAR SERVIDORES E MAGISTRADOS

A proposta de delação premiada apresentada pela defesa do empresário Roberto Augusto Leme, conhecido como “Beto Louco” e natural de Avaré, enfrenta forte resistência entre promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e deve ser rejeitada. O investigado tenta firmar um acordo de colaboração após ter negociação semelhante descartada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo apuração, os investigadores cobram informações mais detalhadas sobre a suposta participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema envolvendo fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. O caso veio à tona com a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado. Além disso, o Ministério Público exige provas inéditas que ainda não tenham sido obtidas no curso das investigações.

Foragido há mais de sete meses, Beto Louco é apontado como gestor financeiro do grupo Copape/Aster, que atua na produção e distribuição de combustíveis e foi alvo da operação. A organização é controlada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, que também está foragido e igualmente tenta negociar um acordo de delação.

As tratativas são conduzidas pela defesa do empresário junto a integrantes dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) de São José do Rio Preto, Piracicaba e Guarulhos, além do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, chefe do MPSP.

A delação premiada é um instrumento jurídico no qual o investigado admite participação em crimes e colabora com as autoridades, apresentando provas e indicando outros envolvidos em troca de benefícios legais. Para ser aceita, a colaboração precisa trazer elementos novos e relevantes, especialmente envolvendo integrantes de níveis superiores da organização criminosa.

Na proposta apresentada por Beto Louco, mantida sob sigilo, constariam acusações envolvendo servidores públicos e magistrados, além da previsão de devolução de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos — sendo cerca de R$ 400 milhões em ressarcimento direto e R$ 500 milhões em prestação pecuniária.

Apesar disso, promotores avaliam que as informações oferecidas seriam, em grande parte, já conhecidas ou passíveis de obtenção por outros meios. O empresário teria admitido participação em fraudes tributárias, mas sem confirmar o envolvimento direto com lavagem de dinheiro para o PCC, ponto central das investigações.

Outro fator que pesa contra o acordo é que os servidores citados já teriam sido alvo de apurações anteriores, e não haveria menção a autoridades com foro privilegiado em Brasília — o que reduziria o impacto da colaboração.

Procurado, o advogado Guilherme San Juan, que representa o empresário, afirmou que as negociações são sigilosas e não podem ser detalhadas. Ele sustentou, porém, que não há elementos suficientes para comprovar a ligação de seu cliente com a facção criminosa.

A decisão final sobre a eventual homologação do acordo caberá ao procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, reconduzido ao cargo nesta terça-feira (14) pelo governador Tarcísio de Freitas. Segundo ele, a proposta ainda está sob análise.

Investigações e esquema

De acordo com as investigações da Operação Carbono Oculto, do MPSP, e da Operação Tank, da Polícia Federal, Beto Louco e seu sócio, “Primo”, teriam adquirido a formuladora Copape e a distribuidora Aster em 2020 por R$ 52 milhões. As empresas teriam sido utilizadas para lavagem de dinheiro e fraudes fiscais.

As autoridades apontam que o grupo controlava toda a cadeia produtiva, desde usinas de etanol até postos de combustíveis em diversas regiões do país. Para reduzir custos, haveria adulteração de combustíveis com a adição de metanol.

Ainda segundo os investigadores, integrantes do PCC teriam atuado na intimidação de donos de postos independentes, forçando a venda dos estabelecimentos sob ameaça, como forma de expandir o domínio da organização no setor.

Enquanto as negociações seguem, o empresário de Avaré permanece foragido e no centro de uma das maiores investigações recentes envolvendo o mercado de combustíveis no país.

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