Uma postagem que viralizou em grupos de redes sociais acendeu o alerta de pais e responsáveis sobre a situação da merenda escolar na Escola Estadual Paulo Araújo Novaes (PAN), unidade do Programa de Ensino Integral (PEI) em Avaré (SP). Os relatos vão desde a quantidade insuficiente de comida até o atendimento considerado desrespeitoso por parte das cozinheiras e da diretoria, deixando crianças e adolescentes com fome durante a longa jornada de estudos.
O episódio mais recente, descrito por uma mãe em um post no Facebook, expõe a indignação generalizada. Ela conta que seu filho aguardou na fila para a última refeição do dia, mas, devido à desorganização e alunos furando a fila, a comida acabou antes de ele ser servido. Ao relatar a situação às cozinheiras, a resposta foi: “O problema não é meu se você não pegou”. Ainda segundo ela a diretoria teria se limitado a dizer: “mas não tem mais”. O aluno terminou o dia letivo com fome.
“Qual aluno estando com fome, vai aprender alguma coisa? Além de pagarmos tantos impostos, que são investidos dentro da escola, ainda precisamos mandar lanches para os nossos filhos não ficarem com fome? Isso é uma vergonha”, desabafou a mãe na publicação.
A reclamação rapidamente ecoou entre outros responsáveis. Em comentários, pais relataram que o problema não é isolado da escola PAN e que a insuficiência da merenda é uma queixa recorrente.
Outros relatos:
“Meu filho também já veio várias vezes com fome. A resposta é essa mesma: ‘problema seu, acabou e não tem mais’. E nem é no PAN que ele estuda, mas acontece o mesmo. A criança fica até as 14h com fome. Meu filho já chegou a chorar em casa com dor de barriga de fome.”, postou M.S.
“Minhas filhas já reclamaram do mesmo problema. E elas falam que as tias da merenda tiram comidas ou frutas antes de acabar. Outro dia teve mexerica, a bacia estava cheia e a tia tirou. Quando minha filha foi pedir mais, não deram.”, publicou V.J.
“Um dos meus filhos ontem chegou azul de fome porque a comida estava muito ruim. Se o governo não está aguentando, reduz os horários das crianças como era antes (das 7h ao meio-dia). Agora elas ficam das 7h às 16h.”, postou a munícipe V.P.
Já R.V. destacou: “Esses horários não dão certo. Tinha que voltar como antes. A criança toma café em casa e volta para almoçar. Sem contar que essa escola precisa de mais segurança, pois quase todos os dias tem brigas.”
A reclamação sobre o horário integral também é um ponto crítico. No modelo PEI, os alunos permanecem na escola por até 9 horas diárias, necessitando de múltiplas refeições garantidas. Pais apontam que a estrutura atual não está conseguindo suprir essa demanda, e muitos já enviam lanches extras para evitar que os filhos passem fome.
O que diz a Secretaria Estadual de Educação
Procurada pelo A Voz do Vale, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) enviou uma nota oficial sobre o caso. O órgão lamentou o ocorrido e informou que medidas já foram tomadas para apurar e corrigir a situação.
Confira a íntegra da nota oficial:
“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) lamenta o ocorrido com o aluno e esclarece que todas as escolas estaduais de Avaré são abastecidas regularmente com os suprimentos necessários para as refeições dos estudantes.
A Unidade Regional de Ensino (URE) de Avaré enviou um supervisor à escola citada para realizar uma escuta com os estudantes e a equipe escolar. Todas as medidas cabíveis foram adotadas para garantir o atendimento ágil, equitativo e adequado das refeições diárias.
A URE Avaré reafirma o compromisso da gestão com os princípios e objetivos do Programa de Ensino Integral (PEI), especialmente no que se refere ao bem-estar, à segurança alimentar e à garantia de um ambiente escolar acolhedor e organizado, e juntamente com a gestão escolar estão à disposição da comunidade escolar para os esclarecimentos necessários.”
A nota reconhece o episódio, mas não detalha quais medidas práticas foram ou serão implementadas para evitar novos casos, nem comenta os relatos de grosseria e desperdício citados pelos pais. A promessa é de que a unidade escolar e a diretoria regional estejam abertas ao diálogo.
Enquanto isso, os pais cobram mais do que promessas. Eles pedem fiscalização efetiva, melhor controle na distribuição das porções, respeito no atendimento aos alunos e, principalmente, que a fome não seja um obstáculo para o aprendizado dentro de uma escola que se propõe a ser modelo de ensino integral.
A reportagem segue aberta para novas manifestações da direção da escola PAN e da URE de Avaré sobre as providências tomadas e o cronograma de ações para garantir que todos os alunos sejam alimentados de forma digna.




