Na sessão da Câmara Municipal de Avaré realizada na segunda-feira (4), o presidente da Casa, vereador Cabo Samuel Paes (PSD), usou a tribuna para se manifestar publicamente pela primeira vez, após o arquivamento do processo de cassação que respondia por quebra de decoro parlamentar. O caso foi encerrado na quarta-feira (29), com placar de 7 votos a 6 contra a perda do mandato.
Em tom de agradecimento, Samuel Paes listou nominalmente os colegas que votaram a seu favor. “Quero agradecer aos meus amigos e vereadores que foram legalistas. Eles não se acovardaram e não votaram sob pressão, porque entenderam que havia uma massa de manobra”, afirmou.
Foram citados por ele os vereadores: Moacir Lima, Everton Machado, Pedro Fusco, Dr. Hidalgo, Jairinho do Paineiras, Ana Paula Godoy e Léo Ripoli. “Esses vereadores entenderam e fez justiça conforme o regulamento (da Câmara), embasado no relatório desta Casa, da Polícia Civil e das imagens, depois que entenderam a manipulação”, completou.
Em um trecho mais pessoal do discurso, Samuel Paes relatou ter consultado um amigo, ex-policial militar e atualmente ligado a práticas espirituais, para saber como estaria seu momento após as denúncias.
“Minha esposa me trouxe uma mensagem falando que eu estava mal nesses horóscopos da vida. Fui consultar um amigo meu, o Zé Elias, que trabalhou comigo na Força Tática em São Paulo. Perguntei a ele como estava minha situação”, contou o vereador. Segundo Samuel, a resposta foi: “Se você anda com Ele [Deus], qualquer situação abaixo d’Ele não tem força contra você.”
O presidente da Câmara afirmou ter glorificado a Deus e agradecido as orações. “Tudo que é feito abaixo vai sempre estar abaixo de Deus. Quem anda com Deus no coração, pode fazer o que quiser, vai cair por terra.”
Ele também tranquilizou apoiadores e críticos sobre seu estado de saúde. “Estou bem psicologicamente, emocionalmente, fisicamente, familiarmente. Correndo 12 quilômetros em 12 minutos”, brincou, acrescentando que corre no Horto todos os domingos.
Samuel Paes fez questão de agradecer a empresários, pastores, policiais militares e amigos que enviaram mensagens de apoio. E pediu compreensão para que não fossem soltados fogos de artifício em frente ao Legislativo.
“Agradeço a todos por ter me ouvido e não ter soltado fogos aqui em cima da câmara, porque todos queriam. Pedimos para não fazer isso, para não afrontar a democracia e deixar a democracia transcorrer normalmente”, concluiu.
Entenda o caso
A Câmara de Avaré rejeitou o pedido de cassação do mandato de Samuel Paes em sessão extraordinária no dia 29 de abril, após parecer favorável à procedência da denúncia apresentado pelo relator da Comissão Processante (CP), vereador Magno Greguer. Para que o presidente fosse cassado, seriam necessários ao menos 9 votos (maioria absoluta). Com 7 votos contra a cassação e 6 a favor, o processo foi arquivado.
Votaram pela permanência de Samuel Paes: Jairinho do Paineiras, Everton Machado, Dr. Hidalgo, Ana Paula Godoy, Léo Ripoli, Moacir Lima e Pedro Fusco. Votaram pela cassação: Magno Greguer, Francisco Barreto, Luiz Cláudio da Costa, Adalgisa Lopes Ward, Maria Isabel Dadário e o suplente Subtenente Wilson Cláudio de Oliveira.
A sessão de julgamento durou cerca de quatro horas e foi presidida pelo vereador Jairinho do Paineiras, já que o réu era o presidente da Casa. A defesa de Samuel Paes foi conduzida pelos advogados João Adolfo Drummond de Freitas, Juliana Padovesi Sousa e Talita Soares.




