A sessão da Câmara Municipal da Estância Turística de Avaré realizada na segunda-feira (27) foi marcada por desdobramentos importantes no âmbito da Comissão Processante (CP) que apura suposta quebra de decoro parlamentar do presidente da Casa, vereador Cabo Samuel Paes.
Durante a palavra livre, o presidente da CP, vereador Hidalgo de Freitas, atualizou os parlamentares sobre os trâmites finais dos trabalhos. Ele confirmou que o relatório elaborado pelo vereador Magno Greguer — que opinou pela procedência da denúncia — já foi protocolado na Câmara e seguirá o rito regimental para ser votado em plenário em sessão especialmente agendada.
“O relatório foi apresentado pelo vereador Magno, foi recebido pela Comissão, protocolado nesta Casa. Agora, encerrado o trabalho da CP, serão tomadas todas as devidas providências”, afirmou Hidalgo.
Durante sua fala, Hidalgo também destacou um requerimento apresentado à CP pelo vereador Pedro Fusco. O documento solicita a quebra do sigilo telemático de grupos e terminais indicados em depoimento prestado à comissão pela munícipe Priscila Bexiga no dia 17 de abril.
Segundo informações extraoficiais, o documento destaca a existência de um grupo secreto de WhatsApp que estaria atuando como uma “milícia digital” para:
- Coordenar ataques sistemáticos contra membros da CP e demais vereadores;
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Manipular a opinião pública por meio de grupos de massa;
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Orquestrar matérias de imprensa tendenciosas para pressionar o resultado da cassação.
“Se este processo de cassação deve ser justo e pautado na legalidade, não pode ele ser refém de uma milícia digital ou de grupos de interesse que usam o anonimato e a desinformação para pressionar o voto dos parlamentares”, destaca.
O vereador pede ainda que o Ministério Público Estadual investigue possíveis crimes de coação no curso do processo e associação criminosa.
Caso é encaminhado à Delegacia Seccional
Hidalgo de Freitas informou que o pedido de Fusco já foi encaminhado à Delegacia Seccional de Polícia de Avaré, que ficará responsável por apurar eventuais crimes praticados durante os trabalhos da CP, incluindo interferência externa e coação de parlamentares.
“O requerimento do vereador Pedro Fusco, sobre quebra de sigilo telefônico, telemático, para apuração de eventuais crimes praticados nesta Casa, também já foi solicitado que seja encaminhado à Delegacia Seccional”, destacou Hidalgo.
A solicitação de Fusco foi motivada pelo depoimento da munícipe Priscila Bexiga, que afirmou, sob juramento, que a denúncia que deu origem à CP não partiu de uma iniciativa espontânea da denunciante oficial, Juliane Oliveira. Segundo Priscila, uma jornalista teria atuado como “mentora intelectual” e verdadeira autora da minuta da denúncia.
Um pendrive com áudios, prints de conversas em grupos de WhatsApp (alguns restritos a administradores) e diálogos privados foi entregue à CP. O material aponta:
- Suposta manipulação de opinião pública para “cacetear” desafetos políticos;
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Pressão sobre vereadores por meio de terceiros, como fundadores de partidos;
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Chacotas e mensagens com tom de ameaça contra parlamentares da base governista;
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Estratégia para “enaltecer” figuras com possível intenção de lançá-las politicamente no futuro.
A defesa do vereador Cabo Samuel, comandada pelo advogado João Drummond de Freitas, questionou Priscila sobre o caráter das matérias publicadas. Ela confirmou que as publicações eram “tendenciosas” e “planejadas” para forçar a cassação.
Próximos passos
Agora, enquanto a Polícia Civil investiga as denúncias de coação e interferência externa, o Legislativo aguarda a votação do relatório de Magno Greguer, que pode resultar na cassação do presidente da Câmara.
A sessão para deliberação ainda será agendada pela Mesa Diretora da Casa de Leis.



