A Prefeitura de Piraju determinou o afastamento cautelar de um monitor de esportes investigado pela Polícia Civil por suspeita de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. A medida foi publicada no Diário Oficial do município neste sábado (6) e terá validade inicial de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período.
Segundo a administração municipal, o afastamento foi adotado em razão da abertura de um processo administrativo para apurar denúncias envolvendo o servidor, que também atua como treinador de futebol na cidade.
De acordo com o documento oficial, a decisão leva em consideração registros feitos na Ouvidoria Municipal, documentos encaminhados pela Rede de Apoio a Meninas e Mulheres de Piraju (RAMP), informações repassadas pela Polícia Civil, além de relato colhido em Escuta Especializada de uma suposta vítima menor de idade.
Ainda conforme a publicação, há suspeitas de condutas de natureza sexual atribuídas ao servidor durante sua atuação em projetos esportivos municipais voltados a crianças e adolescentes. Durante o período de afastamento, ele permanecerá à disposição da administração para participar dos atos relacionados à investigação interna.
O caso também é alvo de investigação da Polícia Civil. Conforme informações já divulgadas pelas autoridades, ao menos quatro denunciantes relataram situações semelhantes. Os fatos investigados teriam ocorrido em diferentes períodos, entre 1998 e 2024, quando as supostas vítimas tinham entre 7 e 13 anos de idade.
Em um dos registros, referente a um caso ocorrido em 2024, a vítima, ainda menor de idade, procurou o Conselho Tutelar para denunciar os fatos. Segundo o boletim de ocorrência, familiares perceberam mudanças comportamentais no adolescente, que passou a evitar os treinamentos de futebol e apresentou episódios de revolta, culminando na procura espontânea por ajuda.
Outro boletim de ocorrência, relacionado a fatos de 2005, relata que o investigado supostamente convidava alunos para frequentar sua residência após os treinamentos. A denúncia descreve episódios de abuso sexual que teriam ocorrido mais de uma vez contra a mesma vítima.
Uma das vítimas, hoje adulta, afirmou que decidiu tornar o caso público apenas em 2025, cerca de duas décadas após os supostos abusos. Segundo seu relato, os acontecimentos continuaram impactando sua vida emocional, exigindo acompanhamento psicológico ao longo dos anos.
O Ministério Público do Estado de São Paulo informou que as investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil e tramitam em sigilo, em razão da natureza dos fatos apurados e da possível existência de outras vítimas.
Até a publicação desta reportagem, o investigado não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.



