Um veado-catingueiro adulto, macho, morreu após ser atacado por cães e resgatado pelo Corpo de Bombeiros na quarta-feira (22), no bairro Terras de São José, em Avaré. O animal chegou em estado crítico ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas), da Unesp de Botucatu, mas não resistiu, apesar das tentativas de reanimação.
Segundo o sargento Alexandre Magno Monteiro, do Corpo de Bombeiros, a equipe foi acionada por moradores por volta das 13h30 para atender uma ocorrência envolvendo um animal silvestre que estava sendo atacado por cães.
Ao chegarem ao local, os bombeiros encontraram o veado cercado pelos animais. A vítima apresentava respiração ofegante e diversas marcas de mordidas pelo corpo, indicando a gravidade dos ferimentos.
Diante da situação, o animal foi encaminhado imediatamente ao Cempas, referência regional no atendimento à fauna silvestre.
De acordo com a equipe veterinária do centro, o veado chegou à unidade em parada cardiorrespiratória. Os profissionais realizaram manobras de reanimação, mas o animal morreu pouco depois de dar entrada.
A principal hipótese para a morte é a chamada miopatia por captura, uma síndrome que pode acometer animais silvestres submetidos a intenso estresse físico e emocional durante perseguições, ataques ou capturas.
O corpo do veado foi encaminhado para necropsia, exame que deverá confirmar a causa da morte.
ESTRESSE – O biólogo Thiago Godoi, especialista em manejo e preservação de fauna silvestre e exótica, explica que herbívoros, como o veado-catingueiro e outros cervídeos, são especialmente sensíveis ao estresse provocado por perseguições e situações de risco.
Segundo ele, além de ataques de predadores, procedimentos de captura, manejo e transporte também podem desencadear a síndrome.
“O nível de estresse foi brutal. A miopatia por captura é um termo utilizado para situações que afetam os músculos esqueléticos. Os cervídeos são relativamente sensíveis a esse tipo de condição”, explicou o especialista.
A doença provoca alterações metabólicas severas decorrentes do esforço extremo e da descarga intensa de adrenalina, podendo causar lesões musculares, insuficiência de órgãos e parada cardiorrespiratória, mesmo quando o animal aparenta sobreviver ao ataque inicial.
O caso chama a atenção para os riscos enfrentados pela fauna silvestre em áreas urbanizadas, onde o contato com cães domésticos pode resultar em ferimentos graves e em situações de estresse capazes de levar os animais à morte, mesmo após o resgate e atendimento veterinário.




