A recente transação bilionária envolvendo a tradicional Fazenda Rio Pardo, situada no município de Iaras (SP), acendeu um sinal de alerta vermelho no setor agrícola do interior paulista. A propriedade de cerca de 10.000 hectares, pertencente à Família Abdalla e arrendada à gigante citrícola Citrosuco por duas décadas, foi adquirida pela produtora de celulose Bracell por um valor estimado em R$ 1,2 bilhão.
Embora o negócio movimente cifras astronômicas, a transição do cultivo de laranja para o plantio de eucalipto traz consigo a sombra de um possível desemprego em massa para a mão de obra rural local.
A grande preocupação da comunidade regional e dos trabalhadores do campo está na diferença drástica do volume de mão de obra exigido entre os dois modelos de negócio:
Citricultura (Laranja): Trata-se de um setor altamente dependente do trabalho braçal. A colheita manual mobiliza centenas de apanhadores, safristas e turmas terceirizadas ao longo dos ciclos de produção para abastecer as indústrias de suco.
Silvicultura (Eucalipto): A cadeia produtiva da celulose é massivamente automatizada. O manejo e o corte florestal utilizam maquinários pesados (como harvesters e forwarders), operados por equipes reduzidas e especializadas.
Com a mudança na destinação da terra, teme-se o fim dos postos de trabalho diretos e indiretos que atendiam a colheita da laranja na Fazenda Rio Pardo.
A Citrosuco emprega globalmente cerca de 14.000 colaboradores em suas diversas unidades e pomares. No entanto, a empresa não divulga o número exato de trabalhadores vinculados exclusivamente à Fazenda Rio Pardo ou a cada frente de colheita específica, dificultando a contabilização prévia das potenciais demissões.
Apesar da dimensão bilionária da negociação, ainda não há informações detalhadas sobre quantos trabalhadores estão vinculados exclusivamente à Fazenda Rio Pardo. A Citrosuco, que possui operações em diferentes regiões e emprega milhares de pessoas, não teve o número específico de funcionários e trabalhadores terceirizados da propriedade divulgado nas informações que embasam o caso.
O receio é que a substituição de uma atividade agrícola intensiva em mão de obra por outra altamente mecanizada provoque uma transformação no mercado de trabalho rural, com consequências para famílias que têm na citricultura sua principal fonte de renda.
Com informações de Moisés Moura/SM conectado




